Tuesday, February 09, 2010
Um avião cruzou o céu bem alto, deixando uma delicada nuvenzinha arrtificial no céu azul de verão. Foda-se o avião, o céu, a nuvem, o azul e o verão.
Thursday, February 04, 2010
Manic Street Preachers - "You're Tender And You're Tired"
Há uma entidade que controla os shuffles de todos os music players do mundo. Neste período conturbado de minha existência, meu ipod tem aleatoriamente (claro que não) repetido essa música do Manic Street Preachers em momentos decisivos.
"...Just time to leave it all behind. Memory has become pain"
Wednesday, February 03, 2010
Up In The Air
Então fui ao cinema ver uma comédia romântica, porque ouvi por aí que não tinha um final feliz. Qual é o problema com finais felizes? Costumam insultar a minha inteligência com sua obviedade. O diretor Jason Reitman acertou em cheio em "Thank You For Smoking" e nem tanto em "Juno", mas me pareceu uma boa indicação de que as coisas poderiam não ser tão banais, apesar do George Clooney, caso clássico do ator que sempre faz o mesmo papel, ele mesmo.
O tema até que me interessou também. Um homem que não quer se conectar das formas tradicionais, que parece ser feliz com uma meta absurda como conseguir um número absurdo de milhas de vôo e mais nada. Que é mais feliz voando do que em terra e não está interessado em romance. Infelizmente, o diretor joga fora uma excelente idéia na qual esbarra acidentalmente nos momentos de diálogos entre Clooney e a boa (feiosa) Anna Kendrick. Ambos vivem em mundos diferentes, ideologicamente falando. Ela, uma jovem que acredita no amor do jeito mais banal e ingênuo. Ele, o típico homem de meia-idade cínico, desiludido e individualista. Os dois presos nos equívocos de suas visões limitadas, simbolizando os dois grupos em que a maioria de nós acaba se encaixando. A impossibilidade de entendimento entre os dois grupos poderia ser conduzida de modo brilhante se o filme seguisse essa trilha. Mas não.
O filme prefere a obviedade (sempre essa escolha, não?). Bate na tecla tola do "É impossível ser feliz sozinho". Ok, que seja. mas é possível ser feliz a dois? Uma afirmação definitivamente não exclui a outra.
Essa obviedade se reflete também no esvaziamento do personagem de Vera Farmiga, que a princípio é mostrada como uma versão feminina do protagonista, só para no final das contas ter uma justificativa previsível e pífia para seu comportamento.
Ao menos, o filme foge daquele esquema que sempre comento aqui, piadas no início, draminha no meio, piadinhas e final feliz para terminar. O que já é alguma coisa.
Monday, February 01, 2010
EELS
Esse cara aí em cima gosta de ser chamado de E. Sua banda chama EELS. Teve um sucesso ligeiro nos anos 90 com um single charmosinho chamado "Novocaine For The Soul". Tem uma vida meio conturbada com tragédias familiares e pai cientista. E um detalhe: é um gênio.
"End Times", "Hombre Lobo" e "Blinking Lights And Other Revelations" são apenas três dos álbuns que consegui ouvir até agora e todos tem mais de uma meia dúzia de canções memoráveis.
Nine Inch Nails - "Closer"
Porque essa música é perfeita, porque o vídeo é incômodo, porque me sinto com todo o ódio do mundo.
Friday, January 29, 2010
Dentro Da Mente De Frank Black
A diferença entre os que fazem diferença em meio à humanidade e o resto dos mortais pode ser resumida em uma frase de William Blake, um dos mais sábios seres que existiram: "Um tolo não vê a mesma árvore que um sábio". E daí, que Frank Black, criador dos Pixies, o que é mais do que você e eu jamais faremos em nossas vidas inteiras, vai lançar um novo disco, que provavelmente será ruim como todos os seus outros álbuns-solo. O que ainda não é a questão.
Ele andou falando sobre o álbum que vem por aí, o que é provavelmente a coisa mais interessante a respeito do novo lançamento. Um tostão dos pensamentos do Sr. Black.
"Quando eu era moleque, samambaia era uma palavra que usávamos para vagina, e até hoje eu adoro samambaias. No meu coração, vaginas são quase tudo, e quase todo o resto pode ser resumido no que paus e sementes têm a oferecer, e o que é todo o resto? O amor do pai, morto ou vivo, a dor do excesso de prazer, até que a morte nos separe, a voz de outro homem da canção do outro lado, com ou sem Deus, Teri And The Possibilities, onde quer que vocês estejam, o odor de sexo no ar, seduzido, dilacerado, de joelhos orando, chupando a única coisa que importa, meu Meret Oppenheim particular, eu sou Man Ray e quero você e quero entrar inteiro em você, o ruído das câmeras enquanto pomos na cena um pouco do suor de nossas testas, o público nos observando da escuridão"
Esse sim é o cara que um dia escreveu "Hey".
Thursday, January 28, 2010
Cranberries, 28.01.2009
Frutinhas vermelhas sem graça igual à banda que tomou emprestado o nome. Ganhei os ingressos de graça, cortesia de um amigo sacerdote gomorrista (um dia explico), e não tinha nada de melhor para fazer naquela noite. Talvez tivesse, sei lá, achei que era uma boa idéia assistir àquele show e definitvamente não foi.
Assim que a vocalista Dolores começou com aqueles vocais li-i-i-fe, lembrei porque ignorara aquela banda por toda a década de 90. Ô troço chato, sem sal. A melhor música da banda é uma cópia aguada dos excepcionais Sundays. O resto são os vocais inacerditavelmente chatos da moça e um instrumental que nem chega a irritar de tão insosso.
As meninas penduradas no pescoço de seus namorados ou namoradas que enchiam o salão podem discordar. O que não me preocupa, já que em geral temos opiniões discordantes mesmo. Às vezes o sem graça é sem graça mesmo, a gente esquece. Cabe a nós manter os olhos abertos ou não. Dá para seguir a vida inteira comendo merda, veja as moscas ao redor.
Enfim, O Ano Novo
Quantas tardes de lágrimas, preço alto, duras penas. Enfim, naquela noite ela lhe devolveu o que havia lhe roubado há anos atrás. Não, não vamos chamar isso de roubo, mais um acordo não dito, selado pela solidão, confusão, desespero. Essa foi uma noite só, mas várias, foi a noite de todas aquelas tardes inúteis, ele ainda era jovem, ele não iria morrer ainda. Na praia ele teve esse vislumbre, o mar dançava só para os seus olhos, só na frente dos seus olhos, nenhum mais. O mar lhe presenteava, mas também o enchia da solidão do último membro de uma tribo que nunca existiu.
Ele começou pelos cabelos, mas não estava lá. O que havia era beleza cosmética que é o oposto do que devia se chamar de belo, algo falso, chamuscado, frio, inerte, impessoal, a miragem de uma miragem. E ainda nem havia deitado os olhos no resto. O mistério, por Deus, o mistério, onde andaria? Teria ele simplesmente confundido a oração com a divindade? Mais uma derradeira vez traído por sua vontade maior que tudo de torcer o mundo sob sua lente pessoal , ela sim torta?
Devia ter desconfiado de como a ficção havia soado perfeita mais cedo. A realidade lhe tomaria a alma mais tarde. Pensou em furar aqueles olhos, mas isso só os deixaria mais cegos e não jorraria sangue. As roupas, impecáveis, cobriam um corpo em silêncio. A nudez, por debaixo daquilo tudo devia ser nudez completa, a nudez do vácuo, que repele a vida. Pensar naquela nudez, mesmo agora, só o enchia de silêncio.
Teve medo de estender a mão e atravessar a imagem ao lado. Teve medo de que fosse um pesadelo. Teve medo de que continuasse para sempre. Agora não tinha mais medo, nem vontade de dizer uma palavra sequer.
O ano novo enfim começara.
Ele começou pelos cabelos, mas não estava lá. O que havia era beleza cosmética que é o oposto do que devia se chamar de belo, algo falso, chamuscado, frio, inerte, impessoal, a miragem de uma miragem. E ainda nem havia deitado os olhos no resto. O mistério, por Deus, o mistério, onde andaria? Teria ele simplesmente confundido a oração com a divindade? Mais uma derradeira vez traído por sua vontade maior que tudo de torcer o mundo sob sua lente pessoal , ela sim torta?
Devia ter desconfiado de como a ficção havia soado perfeita mais cedo. A realidade lhe tomaria a alma mais tarde. Pensou em furar aqueles olhos, mas isso só os deixaria mais cegos e não jorraria sangue. As roupas, impecáveis, cobriam um corpo em silêncio. A nudez, por debaixo daquilo tudo devia ser nudez completa, a nudez do vácuo, que repele a vida. Pensar naquela nudez, mesmo agora, só o enchia de silêncio.
Teve medo de estender a mão e atravessar a imagem ao lado. Teve medo de que fosse um pesadelo. Teve medo de que continuasse para sempre. Agora não tinha mais medo, nem vontade de dizer uma palavra sequer.
O ano novo enfim começara.
Wednesday, January 27, 2010
Viva O Pé Na Bunda
Paul McCartney foi sacaneado pela perneta feio. O divórcio foi infernal e amplamente explorado pelos tablóides. O cara produziu um dos seus melhores discos em muito tempo, com letras mais tristes e amargas do que em toda a sua carreira.
"E agora que você não precisa mais da minha ajuda/Vou usar o tempo para pensar em mim mesmo"
Viva O Pé Na Bunda
John Lennon andou fazendo merda nos anos 70, o que levou a Yoko a dar-lhe um merecido pé na bunda que o deixou na lama emocionalmente, mas também permitiu que o mesmo compusesse lindezas como essa.
"Alguns dizem/que acabou/agora que/estendemos nossas asas/mas nós sabemos que vai além...". Tadinho.
Viva O Pé Na Bunda
Aqui começa uma discussão que talvez leve alguns posts. O famoso pé na bunda pode ser horrível para os compositores (e demais seres humanos em geral), mas seria ele positivo e até produtivo em termos de arte? Vejamos.
"End Times", faixa acima do Eels, composta a partir do doloroso divórcio do vocalista e principal compositor E. Sob uma melodia direta, simples e bela ele canta isso aqui:
"Do lado de fora da minha janela tem um gato no cio/Cala a boca, gato, me deixe sozinho/ Não há cio (calor) nenhum aqui/Não sinto nada/Nem mesmo medo"







